Mulheres Inspiradoras

“Vejo o meu papel como o de alguém que cria pontes”

Há cinco anos na Fundação Benjamim Dias Costa, Alexandra Dias conhece por dentro o peso de uma instituição com quase seis décadas de história. A diretora de serviços assume uma função feita de ligação permanente, entre “a direção e as equipas, entre a instituição e as famílias, entre a tradição e a inovação”. É nesse trabalho menos visível que o legado da Fundação ganha forma todos os dias.

Antes de falarmos da Fundação, gostava de começar pela Alexandra Dias. Que percurso a trouxe até aqui e que parte desse caminho mais influencia a forma como exerce hoje as suas funções?

O meu percurso tem sido marcado pelo trabalho próximo das pessoas, das famílias e das equipas. Ao longo dos anos fui adquirindo experiência em diferentes áreas da intervenção social e educativa, o que me permitiu desenvolver uma visão abrangente das necessidades das crianças e da comunidade.

Aquilo que mais influencia a minha forma de trabalhar é a convicção de que cada decisão deve ter como ponto de partida o bem-estar das pessoas que servimos, sem perder o rigor e a responsabilidade que uma instituição desta dimensão exige.

Na Fundação Benjamim Dias Costa completei cinco anos de colaboração em janeiro, um período que me proporcionou um conhecimento aprofundado da instituição, da sua história, das suas equipas e das famílias que acompanha. A experiência que mais influencia a forma como desempenho a minha função reside precisamente na consciência de que, por detrás de cada decisão, existem crianças, famílias e profissionais que depositam em nós a sua confiança. Esta realidade exige uma liderança pautada pela responsabilidade, proximidade e visão estratégica de futuro.

A Fundação Benjamim Dias Costa existe há mais de cinquenta anos. Uma casa com esta história molda quem a serve, mas também é transformada por quem a conduz no dia a dia. Como descreve essa relação?

Trabalhar numa instituição com quase sessenta anos de história é, simultaneamente, um privilégio e uma responsabilidade. A Fundação Benjamim Dias Costa possui uma identidade muito própria, construída ao longo de décadas de serviço à comunidade, e essa herança influencia naturalmente a forma como desempenhamos as nossas funções.

Contudo, esta é também uma relação dinâmica. As instituições são feitas de pessoas e evoluem com elas. Cada colaborador, cada equipa e cada liderança deixa o seu contributo, introduzindo novas ideias, novas respostas e novas formas de enfrentar os desafios de cada época. Vejo esta relação como um equilíbrio entre preservar os valores fundadores da Fundação — a proximidade, a solidariedade e o compromisso com a educação e o desenvolvimento das crianças — e assegurar a sua capacidade de inovação e adaptação às necessidades atuais das famílias e da comunidade. Mais do que gerir uma instituição com história, sinto que temos a responsabilidade de honrar esse legado, garantindo que continua vivo, relevante e preparado para o futuro.

“A proximidade, a solidariedade e o compromisso com a educação e o desenvolvimento das crianças”

A Fundação nasceu da iniciativa de um industrial que quis garantir educação às crianças dos seus operários. Mais de cinquenta anos depois, o que é que esse gesto fundador ainda exige de si, em termos concretos e não apenas simbólicos?

Exige-nos responsabilidade e coerência. Significa assegurar que continuamos a oferecer respostas educativas e sociais de qualidade, acessíveis às famílias e centradas nas necessidades das crianças. Exige também uma gestão rigorosa dos recursos, para que possamos honrar o legado recebido e garantir que a Fundação continua a cumprir a sua missão nas próximas décadas. Para mim, honrar o legado da família Dias Costa não é apenas preservar uma história; é assegurar que os valores que deram origem à Fundação continuam presentes nas decisões que tomamos diariamente e no impacto que procuramos ter na vida das crianças, das famílias e da comunidade.

Como define o seu papel enquanto Diretora de Serviços numa instituição onde se cruzam educação, apoio social, gestão de equipas, relação com famílias e responsabilidade comunitária?

Vejo o meu papel como o de alguém que cria pontes. Entre a direção e as equipas, entre a instituição e as famílias, entre a tradição e a inovação. Defino o meu papel como uma função de articulação, liderança e compromisso. Numa instituição com a dimensão e a diversidade de respostas da Fundação Benjamim Dias Costa, é fundamental garantir que todas estas áreas trabalham de forma integrada, partilhando os mesmos objetivos e a mesma visão de serviço à comunidade.

Enquanto Diretora de Serviços, procuro criar as condições necessárias para que as equipas possam desenvolver o seu trabalho com qualidade, motivação e sentido de pertença. Ao mesmo tempo, mantenho uma proximidade constante com as famílias, procurando compreender as suas necessidades e assegurar que encontram na Fundação um parceiro de confiança no acompanhamento e desenvolvimento dos seus filhos.

Cuidar de crianças muito pequenas exige um perfil de equipa difícil de encontrar e ainda mais difícil de manter. O que procura nas pessoas que contrata e o que é que essas pessoas têm de encontrar na sua liderança para ficarem?

Procuro profissionais competentes, mas acima de tudo pessoas com sensibilidade humana, capacidade de empatia e verdadeiro gosto por trabalhar com crianças. As competências técnicas são fundamentais, mas a atitude faz toda a diferença. Em contrapartida, acredito que as equipas precisam de encontrar uma liderança próxima, disponível para ouvir, apoiar e valorizar o seu trabalho. As pessoas permanecem onde sentem que o seu contributo é reconhecido e respeitado.

As famílias chegam hoje às instituições educativas e sociais com novas expectativas, novas pressões e, muitas vezes, novas fragilidades. Que mudanças sente nas famílias que procuram a Fundação?

As famílias enfrentam atualmente desafios muito exigentes, desde a conciliação entre a vida profissional e familiar até às questões económicas e emocionais. Notamos uma maior procura de apoio, orientação e confiança. As famílias valorizam cada vez mais a qualidade dos serviços, a comunicação transparente e a parceria com a instituição na educação dos seus filhos.

Uma instituição com esta natureza vive num equilíbrio permanente entre missão social, exigência técnica, acordos de cooperação, comparticipações e sustentabilidade própria. Onde sente mais fragilidade nesse equilíbrio?

O maior desafio é garantir sustentabilidade sem comprometer a missão social. As exigências legais e técnicas são cada vez maiores e implicam investimentos constantes em recursos humanos, instalações e formação. O desafio está em manter elevados padrões de qualidade e, simultaneamente, assegurar que os serviços continuam acessíveis às famílias e financeiramente sustentáveis para a instituição.

Quando olha para o futuro da Fundação Benjamim Dias Costa, que continuidade considera essencial preservar e que marca gostaria de deixar?

A continuidade que considero absolutamente essencial preservar é a fidelidade à missão que esteve na origem da Fundação: colocar as pessoas no centro da sua ação. Ao longo de mais de cinquenta anos, a Fundação conquistou a confiança de gerações de famílias através da proximidade, do cuidado e da qualidade das suas respostas. Esse património humano é o seu bem mais valioso e deve continuar a ser a sua principal marca distintiva.

Quanto ao futuro, acredito que as instituições sociais têm de ser capazes de evoluir sem perder a sua identidade. Os desafios são hoje diferentes dos que existiam há décadas, e exigem inovação, capacidade de adaptação e uma visão estratégica sólida. O meu desejo é contribuir para que a Fundação continue a crescer de forma sustentável, mantendo-se uma referência na educação, na intervenção social e no apoio às famílias.

Se puder deixar uma marca, gostaria que fosse a de ter ajudado a fortalecer uma cultura de excelência, proximidade e confiança. Que as equipas sintam orgulho em trabalhar aqui, que as famílias continuem a reconhecer a Fundação como um lugar seguro e de referência, e que as crianças que por cá passam levem consigo memórias felizes e bases sólidas para construírem o seu futuro. No final, é esse impacto na vida das pessoas que verdadeiramente define o sucesso de uma instituição como a nossa.

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