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EDITORIAL | EDIÇÃO 67 | SETEMBRO 2026

O regresso ao trabalho permite-nos também recuperar o regresso diário a casa. E essa é uma sensação que nunca me cansa, nem se torna repetitiva. Como escrevi no editorial do mês passado, “há rotinas boas”, sempre que fazem sentido. Ter rotinas é saudável, tal como é saudável quebrá-las de vez em quando.

Nenhuma rotina é tão antiga como regressar a casa. Que o diga Ulisses, agora que se voltou a popularizar graças ao filme de Christopher Nolan. Depois de anos de viagem, de perigos, de desvios e de encontros, a Odisseia é também a história de um homem que quer regressar a casa e à sua Penélope, que nunca deixou de acreditar nesse regresso e, por isso, o tornou possível. Essa vontade de regressar ao lugar de onde partimos, sobretudo quando o regresso acontece depois de uma viagem, de um esforço ou de uma missão cumprida, é particularmente reconfortante.

É nesse regresso ao quotidiano que continuamos também o trabalho diário que todos os meses nos traz até uma nova edição nas bancas. Nesta, contamos com duas entrevistas, ao Secretário de Estado do Turismo e à Bastonária da Ordem dos Psicólogos, num mês em que se assinalam o Dia Mundial do Turismo e o Dia Nacional do Psicólogo. A estas duas entrevistas junta-se ainda a reflexão de Carlos Abade, Presidente do Turismo de Portugal, sobre o futuro do turismo perante a transformação tecnológica e a inteligência artificial.

São contributos distintos, com abordagens diferentes, mas que encontram um ponto de contacto na ideia de que as pessoas continuam a estar no centro daquilo que fazemos. E é também aqui que encontramos razões para acreditar naquilo que fazemos, sustentadas em critério e conhecimento. É fácil acreditar num país quando reconhecemos aquilo que tem para oferecer, numa profissão quando percebemos a importância que pode ter na vida das pessoas e no nosso trabalho quando é feito com profissionalismo e sensibilidade editorial para reconhecer, em cada assunto, aquilo que pode ter interesse público e encontrar a forma certa de o abordar e contextualizar.

Publicar, como já o disse várias vezes, é um ato de enorme responsabilidade. Honrar essa responsabilidade, em qualquer momento e em qualquer lugar, é uma atitude de respeito por tudo e todos os que nos rodeiam. Quando essa responsabilidade se torna habitual (outra “rotina boa”), deixa de ser algo pesado. Torna-se até bastante leve, porque passa a ser genuinamente inerente à condição de quem age de forma consciente, madura, informada e lúcida, sabendo o seu lugar e aquilo que representa em cada momento.

A verdadeira Odisseia está no regresso mais do que na partida. Regressar a casa, às pessoas, às rotinas que fazem sentido e àquilo em que acreditamos.