Corporate Insights

Quando tudo é urgente, nada é verdadeiramente importante

Quando uma organização entra em modo de urgência permanente, começa a deixar de distinguir o essencial do acessório. Tudo aparece marcado como prioritário, sem nenhuma hierarquização. Pode parecer dinamismo, mas é apenas desorganização.

A confusão entre velocidade e eficácia tornou-se um dos vícios mais comuns do ambiente profissional contemporâneo. As agendas cheias dão aparência de importância, as notificações constantes multiplicam a sensação de relevância. Parecer permanentemente ocupado transformou-se em prova moral de compromisso. Qualquer pessoa que pare para pensar arrisca-se a parecer lenta. Stephen Covey chamou a atenção para isto há décadas ao separar aquilo que é urgente daquilo que é importante. Atribui-se a Eisenhower a mesma conclusão, chegada pela experiência política e militar: as decisões verdadeiramente importantes raramente surgem em ambiente de alarme. O problema é que o urgente ocupa espaço mental imediato, interrompe. E em ambientes profissionais dominados por plataformas de comunicação instantânea, reuniões sucessivas e pressão constante para responder depressa, o ruído tende a vencer.

Como consequência aparece o cansaço constante, mas também a superficialidade acumulada. Uma equipa que trabalha permanentemente em reação perde capacidade de antecipação, de análise e até de memória organizacional. Resolve problemas imediatos enquanto cria outros mais complexos para o médio prazo. Isso percebe-se facilmente na forma como as organizações distribuem reconhecimento. Quem resolve uma crise de última hora ganha visibilidade imediata. Evitar que o problema chegue a esse ponto, de forma discreta e profissional, quase nunca é percebido. Aos poucos instala-se uma lógica perversa em que prevenir vale menos do que reagir. O resultado é uma cultura onde o improviso recebe mais atenção do que o pensamento estratégico.

Também por isso se tornou cada vez mais difícil encontrar espaço para trabalho intelectual profundo. Pensar exige continuidade, concentração e tempo não fragmentado. Mas grande parte das estruturas profissionais atuais foi construída precisamente contra isso. Interrupções constantes, comunicação incessante e disponibilidade permanente criam um ambiente onde quase tudo favorece resposta rápida e quase nada favorece reflexão. O efeito vê-se na qualidade das decisões.

As empresas mais inteligentes começaram entretanto a perceber que proteger tempo é uma decisão estratégica fundamental. Algumas reduziram reuniões, outras impuseram períodos sem interrupções. Houve ainda quem limitasse as próprias ferramentas de comunicação interna. Uma organização revela as suas prioridades pela forma como distribui atenção.